A pergunta 908
leva-nos a refletir sobre o verdadeiro papel que as paixões devem desempenhar
nas nossas vidas. Segundo o Espiritismo, o ser humano só encontra a perfeição
moral quando aprende a controlar os seus impulsos e desejos.
As paixões
por si só não são qualitativamente boas ou más. Tudo depende do uso que fazemos
deles e do grau de equilíbrio que alcançamos entre os nossos instintos e o
exercício da razão. Podemos considerar paixões benéficas aquelas que nos
motivam a fazer o bem, como o amor à família, o idealismo e a dedicação ao
próximo.
As paixões
negativas, por outro lado, tendem a prejudicar os outros ou a nós mesmos, como
a raiva descontrolada, a inveja, a gula e a luxúria indisciplinada. No entanto,
mesmo estas paixões podem ser dominadas e usadas criativamente, desde que
saibamos limitá-las sabiamente e através da prática constante da caridade.
Cabe a cada
um de nós a tarefa diária de regular os seus impulsos à luz da razão superior e
do amor ao próximo. Quando permitimos que os nossos desejos se sobreponham ao
bem comum, é sinal de que ainda precisamos evoluir no autodomínio. Mas através
de um esforço perseverante para controlar o que há de egoísta em nós e cultivar
as virtudes do coração, podemos elevar as nossas paixões a um nível mais
elevado, onde elas nos impulsionarão em direção ao ideal.
Somente através do equilíbrio interior alcançaremos a serenidade necessária para vencer as tentações e agir sempre para a elevação dos outros. Este é o verdadeiro critério para controlar as paixões de forma benéfica.

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