Já parou para questionar quem está realmente a falar quando diz que canaliza uma entidade espiritual?
Será mesmo um mentor elevado, um guia iluminado…
Ou será a sua própria dor, bem vestida, mascarada de sabedoria, a falar com voz suave, mas intenção confusa?
Este é o lado obscuro da canalização que ninguém quer enfrentar.
Porque é reconfortante acreditar que fomos escolhidos.
É bonito dizer que somos canais.
Mas é brutal admitir que podemos estar apenas a ouvir os nossos próprios gritos reprimidos, traumas não curados ou vozes internas que nunca foram validadas — e que agora se apresentam como “espíritos superiores”.
Carl Jung já alertava:
•“Aquilo que nega em si mesmo, manifesta-se no exterior como destino.”
Na espiritualidade, isto ganha uma camada ainda mais perigosa:
•a sombra apresenta-se como entidade.
- Reprimiu a sua raiva? Ela pode surgir como um “guia guerreiro” agressivo e intolerante.
- Negou o desejo de ser visto? Pode materializar-se como uma “mestra cósmica” repleta de mensagens para os outros.
- Nunca curou o seu medo de abandono? Talvez apareça uma “entidade materna” que só diz o que deseja ouvir.
Sente alívio ao canalizar porque, finalmente, alguém lhe diz que é especial, sensível, desperto.
Mas reflita:
Essa entidade está a curá-lo… ou a alimentar a sua carência?
Ela liberta-o… ou mantém-no preso na ilusão de que precisa dela para tudo?
Sinais de que a sua “entidade” pode ser a sombra em traje de luz.
- Reforça a sua superioridade espiritual.
- Impede-o de questionar criticamente as mensagens.
- Gera dependência emocional.
- Repete exatamente o que quer ouvir — nunca o que precisa de escutar.
- Rejeita questionamentos, e você sente raiva de quem duvida.
- Canaliza com mais frequência em momentos de crise emocional.
- A “entidade” nunca o desafia ou confronta. Apenas o acalenta.
Isso não é um guia.
É o ego. É trauma. É carência com brilho cósmico.
A verdade é: canalizar é perigoso sem autoconhecimento.
Sem base emocional sólida, sem terapia, sem enraizamento…
torna-se uma marioneta da própria mente.
Não está a canalizar guias. Está a canalizar a fome emocional por amor, validação e controlo.
E o problema?
Acredita que se conecta ao divino…
**mas está apenas a girar em círculos no porão obscuro da sua psique.
“Mas sinto uma energia intensa!”
Claro que sente.
O inconsciente é uma força descomunal.
Traumas acumulados são um reator nuclear.
A mente dissociada é um palco onde qualquer personagem atua… e você aplaude de pé.
O que sente não prova verdade. Apenas prova que *algo* existe ali.
Mas precisa de discernir se esse “algo” é
um mentor real… ou o eco emocional da sua dor.
O caminho verdadeiro: canalização consciente e autêntica
Canalizar pode ser sagrado e transformador.
Mas só é seguro após visitar a sua sombra, olhá-la nos olhos e dizer:
“Não precisas mais de te esconder.”
- Antes de abrir um canal, abra uma ferida.
- Antes de invocar um mestre, chame a sua criança ferida para conversar.
- Antes de escrever o que um “ser de luz” diz, pergunte:
Será isto o que eu nunca tive coragem de admitir?
Desfecho perturbador:
A entidade que canaliza pode ser real.
Ou pode ser o eco do que ainda não curou.
E talvez… apenas talvez…
ela não veio para o salvar. Veio para lhe mostrar que ainda há dor dentro de si.
E que é hora de parar de projetar no invisível…
e começar a responsabilizar-se pelo que habita dentro de você.
Acorde. Desperte. A hora é agora.
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