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O Colo de Deus: Quando a Alma Precisa de Ser Criança


Reflexão sobre o capítulo VIII, itens 18 e 19 de O Evangelho segundo o Espiritismo

Meus caros amigos e irmãos de jornada,

Hoje, trago-vos uma reflexão muito especial que nasce do nosso Evangelho. É sobre aquele momento bonito em que Jesus abriu os braços e disse: “Deixai vir a mim as criancinhas”.

Sabem... quando lemos isto, podemos pensar que Ele falava apenas dos meninos e meninas. Mas os Espíritos Amigos explicam-nos que Jesus falava, na verdade, de nós. Sim, de nós! Porque, diante da grandeza de Deus, nós somos todos como crianças que ainda estão a aprender a andar.

Quantas vezes não nos sentimos fracos? Quantas vezes a vida não nos parece pesada demais, cheia de aflições, e nós ficamos sem saber para onde nos virar? É nessas horas, meus irmãos, que nos sentimos pequeninos. E é exatamente para essas horas que Jesus nos faz este convite.

Ele não pede que sejamos doutores, nem que saibamos explicar os mistérios do universo. Ele pede apenas que tenhamos a simplicidade e a confiança de uma criança. Imaginem um menino que tropeça e se aleija. O que é que ele faz? Ele corre para os braços da mãe ou do pai, a chorar, certo? Ele não tem vergonha de pedir ajuda. Ele sabe que ali vai encontrar consolo.

Pois a mensagem de hoje diz-nos que Jesus quer ser esse abraço para nós. Ele diz-nos: “Vinde a mim, vós que sofreis. Eu tenho o ‘leite’ que vos dá força. Eu tenho o remédio para as vossas feridas.”

E sabem qual é esse remédio milagroso que cura as dores da alma? Os Espíritos respondem: É o Amor. É a Caridade.

Mas não é só dar uma esmola. É o amor que nos faz aceitar a vida sem revolta. É a caridade de perdoarmos aos outros e, principalmente, de confiarmos em Deus. É podermos dizer, no meio da dificuldade: “Meu Deus, eu não compreendo tudo, mas confio em Ti. Sei que és um Pai bom e que isto que estou a passar vai servir para eu crescer e ser mais forte.”

Se tivermos esta humildade, meus amigos, se o nosso coração for puro e sem orgulho, acontece uma coisa maravilhosa. O peso sai das nossas costas. A nossa alma fica leve... tão leve como um pássaro que se solta da terra e voa livre para o céu.

Por isso, fica aqui o convite para a nossa reflexão de hoje: Não tenhamos vergonha de ser simples. Não tenhamos medo de precisar de ajuda. Entreguemos o nosso coração a Jesus com a confiança de uma criança, e Ele dará o descanso às nossas almas.

Que assim seja.

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