Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta OEvangelhoSegundoOEspiritismo

A Anatomia da Cólera e a Ilusão do Temperamento: Uma Viagem ao Nosso Interior

Há batalhas que se travam sem testemunhas, guerras íntimas que não deixam marcas visíveis, mas que moldam silenciosamente o destino da alma. Entre elas, talvez nenhuma seja tão universal como a luta contra a irritabilidade — essa chama breve, mas devastadora, que se acende no íntimo e nos rouba a serenidade. Vivemos num tempo em que tudo corre, tudo exige, tudo pressiona. A vida moderna, com o seu ritmo vertiginoso, parece ter declarado guerra à paciência. E, nesse turbilhão, a cólera surge como um reflexo quase automático, uma reacção que se insinua antes mesmo de termos consciência dela. É um visitante indesejado que conhece bem o caminho até ao nosso coração. Mas de onde nasce, verdadeiramente, essa fúria súbita que nos obscurece o olhar e nos leva a ferir aqueles que mais amamos? O capítulo IX de O Evangelho Segundo o Espiritismo (itens 9 e 10) oferece-nos uma chave luminosa, uma análise tão profunda que parece escrita directamente para o nosso tempo. O Orgulho Ferido: A Sombra qu...

O Consentimento da Razão e do Coração: A Verdadeira Força da Resignação

Meus queridos leitores e companheiros de jornada interior, Vivemos num tempo apressado, inquieto, quase sempre ruidoso. Um tempo que exalta a rebeldia, a afirmação do ego, a vitória imediata e a imposição da própria vontade. Neste cenário, palavras como obediência e resignação parecem, aos olhos do mundo, sinónimos de fraqueza, submissão ou desistência. Contudo, quando abrimos o Evangelho Segundo o Espiritismo , Capítulo IX, item 8, e deixamos que a voz serena do Espírito Lázaro nos alcance, percebemos que estas virtudes são, na verdade, expressões de uma força moral que o orgulho desconhece e que o medo não consegue imitar. Lázaro começa por desfazer o equívoco comum: o cobarde não é resignado, e o orgulhoso jamais será obediente. A resignação e a obediência exigem coragem interior, lucidez e humildade — qualidades que só florescem em almas que já compreenderam algo da grandeza divina e da pequenez das nossas teimosias humanas. A definição que ele nos oferece é de uma beleza fil...

Quando a Raiva Bate à Porta: A Promessa para os Pacíficos

  Hoje vamos reflectir sobre umas palavras de Jesus que, à primeira vista, parecem difíceis de acreditar nos dias de hoje. Ele disse: “Bem-aventurados os brandos, porque eles possuirão a Terra.” (Mateus, 5:5) Olhamos à nossa volta e o que vemos? Vemos os violentos a mandar, os que gritam mais alto a ter razão, e os que usam a força a passar à frente. E, às vezes, perguntamo-nos: “Será que vale a pena ser calmo? Será que ser pacífico não é ser fraco?” O Evangelho segundo o Espiritismo (Capítulo IX) vem dizer-nos que não . Jesus ensina-nos que a verdadeira força não está em explodir, mas em segurar a explosão. Ele avisa-nos sobre o perigo da nossa língua e da cólera. Sabem aquelas palavras duras que soltamos quando o sangue ferve? Aqueles insultos antigos (como o termo "Raca" usado na Bíblia) que serviam para chamar ao outro "inútil" ou "sem valor"? Pois bem, o Mestre diz-nos que ferir um irmão com uma palavra é tão grave perante as Leis de Deus com...

O Colo de Deus: Quando a Alma Precisa de Ser Criança

Reflexão sobre o capítulo VIII, itens 18 e 19 de O Evangelho segundo o Espiritismo Meus caros amigos e irmãos de jornada, Hoje, trago-vos uma reflexão muito especial que nasce do nosso Evangelho. É sobre aquele momento bonito em que Jesus abriu os braços e disse: “Deixai vir a mim as criancinhas” . Sabem... quando lemos isto, podemos pensar que Ele falava apenas dos meninos e meninas. Mas os Espíritos Amigos explicam-nos que Jesus falava, na verdade, de nós . Sim, de nós! Porque, diante da grandeza de Deus, nós somos todos como crianças que ainda estão a aprender a andar. Quantas vezes não nos sentimos fracos? Quantas vezes a vida não nos parece pesada demais, cheia de aflições, e nós ficamos sem saber para onde nos virar? É nessas horas, meus irmãos, que nos sentimos pequeninos. E é exatamente para essas horas que Jesus nos faz este convite. Ele não pede que sejamos doutores, nem que saibamos explicar os mistérios do universo. Ele pede apenas que tenhamos a simplicidade e a confiança...