Não acredito na ressurreição como dogma, nem na ideia de um corpo que adormece na morte para um dia “acordar” intacto, como se nada tivesse acontecido entre um ponto e outro. Para mim, isso seria quase uma ofensa à inteligência da própria Vida. O universo não pára, não congela, não suspende o movimento. Tudo evolui, tudo se transforma, tudo se aperfeiçoa. Porque razão o espírito seria a única excepção? Acredito na reencarnação como expressão natural de um princípio maior: a Vida não desperdiça experiência . Nada do que vivemos é inútil, nada do que sentimos é em vão. Cada dor, cada alegria, cada perda, cada encontro, cada fracasso e cada gesto de amor são matéria-prima de um aperfeiçoamento silencioso que se faz por dentro. Não num céu distante, mas no íntimo da consciência. É a partir desta visão que olho para a Páscoa. Não como um episódio isolado da tradição cristã, mas como um símbolo universal de um processo que se repete em todas as almas : morrer para uma forma de ser, renas...