Em 1507, Portugal chegou à Pérsia, quando os safávidas impunham a religião xiita que domina o actual Irão. Até 1622, competiram como ideologias rivais pelo controlo de Ormuz. Olharam-se com desconfiança e fascinação. Os persas eram muçulmanos muito diferentes dos que os portugueses conheciam, e, quando visitaram a corte safávida, ficaram chocados com o consumo do álcool que viram. Afonso de Albuquerque, político hábil e astuto, propôs ao Xá Ismael, fundador da dinastia Safávida, um pacto ambicioso, caso derrotassem os mamelucos: o rei D. Manuel ficaria com Jerusalém e o xeque persa com Meca e Medina - ambos concretizariam "sonhos messiânicos de conquista mundial, com o objectivo de salvação e redenção, a fim de instaurar um governo justo". A historiadora Dejanirah Couto ironiza: "Era um bluff de Albuquerque, apoiado nas ideias messiânicas de D. Manuel. Nem o Xá nem Albuquerque tinham forças para atacar Meca. Nesse bluff, Albuquerque até 'vendeu' o Guj...