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O Fim do Medo: O Que Significam os Barulhos e as "Casas Assombradas"?



O tema que hoje nos reúne é daqueles que, desde os primórdios da humanidade, desperta inquietação e fascínio. Ruídos inexplicáveis, pancadas nas paredes, portas que se movem sem mão humana, objectos que parecem animar-se por si mesmos — fenómenos que alimentaram lendas antigas, superstições populares e até o imaginário dos modernos filmes de assombração.

Allan Kardec, com a serenidade e o rigor que lhe são característicos, aborda este assunto em O Livro dos Médiuns, capítulo V. E os itens 86, 87 e 88 oferecem-nos uma lição que, longe de nos mergulhar no temor, nos conduz à libertação interior.

Imaginemos, por um instante, uma cena simples: estamos sozinhos no nosso quarto, concentrados no trabalho, e começam a ouvir-se pancadas à nossa volta… não durante alguns instantes, mas durante quatro horas consecutivas. Qualquer um de nós sentiria o coração acelerar e a vontade de fugir.
Pois foi exactamente isto que sucedeu a Kardec, como ele próprio narra no item 86. Mas, em vez de se deixar dominar pelo pavor, manteve-se sereno. Primeiro, certificou-se de que não se tratava de um fenómeno natural — madeira a estalar, vento, vibrações. Não sendo, procurou esclarecimento no dia seguinte, dirigindo-se aos Espíritos com a simplicidade de quem busca a verdade.

A resposta que recebeu é de uma beleza desarmante: tratava-se apenas do seu Espírito familiar, um amigo espiritual elevado, que batia para chamar a sua atenção e oferecer-lhe conselhos sobre o trabalho que realizava.
E, como por encanto, assim que a comunicação se estabeleceu, as pancadas cessaram. Kardec utiliza uma imagem luminosa:
«O tambor deixa de tocar para despertar os soldados, logo que estes se acham todos de pé.»
O Espírito só faz barulho enquanto não encontra quem o escute.

No item 87, Kardec reconhece que, por vezes, estes fenómenos assumem formas mais impressionantes: portas que batem, móveis que parecem arrastar-se, ruídos de loiça a partir-se com estrondo — e, quando vamos verificar, tudo está intacto.
São manifestações de efeitos físicos, que podem ser reais ou apenas ilusões sonoras produzidas pelos Espíritos.

Mas é no item 88 que encontramos o remédio maior, a chave que dissipa o medo.
Porque trememos diante destes fenómenos?
Porque o medo e a superstição são filhos da ignorância.
Durante séculos, o povo simples atribuía tudo ao diabo; e os mal-intencionados aproveitavam-se disso para explorar os mais frágeis.

O Espiritismo, porém, acende uma luz num quarto escuro.
Kardec afirma com clareza cristalina:
«Em coisas terríficas se convertem as mais simples, quando se lhes desconhecem as causas.»

Quando compreendemos que não existem demónios nem monstros, mas apenas Espíritos — seres humanos desencarnados, exactamente como nós, apenas libertos do corpo físico —, o terror dissolve-se como neblina ao sol.
Alguns podem ser brincalhões, outros perturbados a pedir auxílio, outros ainda grandes amigos espirituais que procuram ajudar-nos, como sucedeu com Kardec.

A lição que fica é luminosa e profundamente consoladora:
o conhecimento é o fim do medo.

Que possamos, pois, estudar com alegria e coração aberto, para que o mundo invisível deixe de ser um fantasma que nos assombra e se revele, simplesmente, como a continuação natural, viva e palpitante, da Obra de Deus — uma obra que nos envolve, nos acompanha e nos chama, sempre, à serenidade, à confiança e à luz.


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