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Ulisses, ou Odisseu, uma visão sobre um herói

A vida de Ulisses, como ficou conhecido Odisseu com a tradução latina da obra Odisseia de Homero, é narrada depois de Odisseu passar 10 anos na guerra de Troia e mais outros 17 anos para voltar a casa e período em que  passa por muitas aventuras, uma odisseia, no caminho de regresso.

Este livro não narra feitos bélicos nem se restringe a um local isolado, mas trata de viagens e aventuras de um dos heróis da guerra de Troia, Odisseu.

Odisseu é obrigado a ir á guerra de Troia, deixa para trás a sua esposa e o seu filho de um mês de idade, Telémaco. A esposa, Penélope, acreditava na volta gloriosa do seu marido mas estava a ser pressionada a casar por um grupo de pessoas que queriam tomar o poder. Diziam que Odisseu estava morto e que ela deveria casar com um dos  pretendentes. Após a guerra, inicia-se o retorno de Odisseu e dos seus companheiros para o seu reino, em Ítaca.

Com o aumentar da pressão, Telémaco sai à procura do pai com alguns companheiros, vão para Esparta e outras cidades em busca de noticias para ajudar no rastrear dos passos de Odisseu.

Como as aventuras são muitas, seria muito moroso relatar todas em pormenor, pelo que optei por abordar somente algumas que penso serem as mais notáveis, contudo sem as esmiuçar.

Estas histórias serão relatadas segundo o  ponto de vista do seu fiel arco de flechas, que tinha declarado total vassalagem e profunda obediência o que levava a que somente o seu dono, Odisseu, tivesse a força e a habilidade em o tencionar e disparar certeiramente aos seus opositores.

 


 

- Preparada? Flecha! Estás pronta para eu te enviar neste voo épico?

- Mas… porquê agora? Porquê agora que passaram tantos anos! Nunca te vi assim, arco. Tão tenso, tão pronto para cumprires o teu desígnio! O que se passa? Contam-me! Não quero ir sem entender esta tua determinação.

- É ele, voltou! Foram 27 anos, quase a vida de um homem. Mas voltou. Sinto aquele arrepiar, aquela tensão que só ele me faz sentir, que só ele consegue.

A todos os outros neguei, jurei ser fiel a Odisseu, e ele voltou. Já não o reconhecia, está velho e desgastado. Terão sido muitas andanças, muito sofrimento, muitas aventuras.

- Quem?!?! Odisseu?? Mas diziam que tinha morrido! Conta-me, o que te disse o teu senhor, que aventuras te contou Odisseu? Vá, conta tudo, prometo não falhar o alvo, mas tens de me contar tudo. Tudo!

- Neste curto espaço de tempo não consigo contar tudo. Mas vou contar quem é Odisseu,  e se conseguir resistir a esta força posso contar mais algumas histórias antes de te enviar ao alvo.

Odisseu é filho de Laertes, rei de Ítaca, e de Anticleia, filha do herói Diocles.

Odisseu não queria ir para a guerra de Troia, tinha casado havia pouco tempo com a sua sempre amada Penélope e o seu filho, Telémaco, havia nascido somente à um mês.

Então fingiu-se de louco, afim de evitar ser enviado para tomar parte na guerra de Troia. Mas Palamedes, príncipe da Eubeia que tinha sido enviado para recolher “braços” para a guerra, desconfiou do fingimento de Odisseu e colocou à frente da relha do arado, que Odisseu guiava na lavoura, o próprio filho de Odisseu, Telémaco. Para não ferir o menino, Odisseu levantou o arado com toda  a pressa, dando assim a conhecer que não estava louco.

Foi, por isso, recrutado para tomar parte no cerco de Troia. Aí mostrou muita valentia e astucia. Fez parte do grupo de gregos que entraram em Troia dentro de um gigantesco cavalo de madeira, idealizado por ele, que também permitiu a entrada de soldados gregos através da abertura feita nas muralhas para dar passagem ao cavalo que não cabia em nenhuma das portas da cidade.

Voltando a Ítaca, passou muitos perigos na sua viagem marítima, em luta permanente contra a sua má sorte. Naufragou na Ilha de Circe, onde a feiticeira do mesmo nome, que conviveu com Odisseu, teve dele um filho a que deram o nome de Telégono.

Acabou por sair desta ilha para ter um novo naufrágio junto da Ilha dos Ciclopes, onde foi aprisionado com os seus companheiros. Com a habilidade de que dispunha, todavia, escapou dos encantos das sereias e partiu de novo. Nesta altura Éolo, deus dos ventos, tratou muito bem Odisseu e ofereceu-lhe vários odres onde os ventos estavam encerrados. Os seus companheiros, roídos de curiosidade a respeito do conteúdo dos odres, abriram-nos, e os ventos saíram com tal impetuosidade, que provocaram uma violenta tempestade. Odisseu perdeu todas as naus da sua frota, conseguindo, todavia, salvar-se numa prancha e chegar, de novo, a Ítaca. O seu estado era tão miserável que ninguém o reconheceu.

- Ninguém!? Nem a mulher!

- Nem a mulher. Mas deixa-me continuar. E já vais entender porque estamos nesta situação.

Disfarçado, conseguiu aproximar-se incógnito de Penélope, sua mulher, que, assediada de numerosos pretendentes, havia prometido casamento àquele que conseguisse endireitar-lhe o arco. Ninguém o conseguiu, até que se apresentou Odisseu, que levou a bom termo aquela tarefa. Odisseu deu-se então a conhecer e entrou de novo no seio da família.

 Para honrar a mulher, que sempre lhe foi fiel e astuta em evitar os pretendentes…

- Mas como? Como é que ela conseguiu evitar?

- Era isso que ia contar quando interrompeste.

- Vá, despacha-te que tenho de voar.

- Se estiveres calado demoro menos tempo.

- Sim, eu fico calado, mas conta rápido, sinto que estou prestes a voar.

- Estava a contar, que Penélope conseguiu evitar o avanço dos pretendentes que afirmavam Odisseu morto. Disse que gostava de bordar uma mortalha digna do seu marido, Odisseu, e assim o fez bordou durante muitos, muitos anos a mortalha para fazer o funeral, mas aquilo que avançava durante o dia, era desmanchado durante a noite.

Agora aqui estamos em gloria da honra de Penélope, e iremos dizimar estes abutres sem asas que queriam tomar Ítaca, querendo enganar a mulher do nosso mestre, cegos pelo poder.

Agora vai. Cumpre o teu desígnio…..

- Sim. Vou ainda mais certeiro. Mais orgulhoso de quem me envia. Não vou falhar.

 


 

Em determinada altura, tendo sabido por um oráculo que um filho lhe tiraria a vida, entregou os seus estados ao seu filho Telémaco, para poder ausentar-se e escapar àquela previsão. Mas Telégono, o outro filho de Odisseu, sentindo-se deserdado, matou o pai, cumprindo-se assim o que fora anunciado pelo oráculo.

Seu velho pai, Laertes, antes de morrer, teve a consolação de vê-lo de volta.

Em prova da sua grande valentia e destreza e em virtude dos valiosos serviços prestados à pátria, Odisseu foi declarado semideus.

 

A memória de Odisseu foi consagrada por um grande número de monumentos, de baixos-relevos, de medalhas e de camafeus; é facilmente reconhecido pelo gorro pontudo que ordinariamente lhe dão.

 

Diz-se que foi o pintor grego Nicómaco quem primeiro o pintou com esse gorro. Odisseu é muitas vezes representado em companhia de Minerva.



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