Quando mergulhamos nas profundezas da questão 959 de "O Livro dos Espíritos", encontramos uma fascinante reflexão sobre a origem do sentimento instintivo da vida futura no ser humano. Como espíritas, procuramos compreender essa inquietação inerente à nossa natureza, que nos impele a questionar o que está além da existência terrena.
A Doutrina
Espírita, baseada nos ensinamentos de Allan Kardec, revela-nos que esse
sentimento não é uma mera ilusão ou uma invenção da imaginação, mas uma
centelha divina que habita em cada um de nós. Esta centelha, a centelha da consciência,
é a própria essência do nosso ser, que transcende os limites do corpo físico e
nos conecta a uma realidade espiritual.
Segundo a
interpretação espírita, o sentimento instintivo da vida futura tem sua origem
na própria natureza do espírito encarnado. Somos seres multidimensionais, com
uma dimensão material e uma dimensão espiritual, e é esta dualidade que nos
leva a procurar respostas para além do véu da matéria. Esta inquietação, esta
ânsia de algo maior, é a manifestação do nosso espírito, que anseia pela sua
verdadeira pátria, o mundo espiritual.
Ao longo da
nossa jornada terrena, este sentimento instintivo é fortalecido e refinado à
medida que nos deparamos com as limitações e contradições da existência
material. É quando somos confrontados com a finitude da vida física, com a dor,
o sofrimento e a morte, que esse anseio pela continuidade da existência se
torna mais evidente e urgente.
Mas a
Doutrina Espírita ensina-nos que a morte não é o fim, mas a transição para uma
nova etapa de nossa evolução. Somos seres imortais, destinados a trilhar um
caminho de aperfeiçoamento e elevação espiritual, em busca da perfeição. E
é esta certeza, esta profunda convicção, que alimenta o sentimento instintivo
da vida futura.
Ao longo de
nossa jornada, esse sentimento manifesta-se de muitas maneiras: na crença em um
Ser Superior, na esperança de reencontro com entes queridos, na busca de
respostas sobre o propósito da existência. Esta inquietação, esta sede de conhecimento,
é a expressão do nosso espírito, que anseia compreender a sua origem, a sua
natureza e o seu destino.
Portanto, o
sentimento instintivo da vida futura não é uma mera ilusão, mas sim a expressão
da nossa essência espiritual. É a centelha divina que arde em cada um de nós,
iluminando o caminho e guiando-nos para a nossa verdadeira pátria, o mundo espiritual.
Compreendendo esta verdade, podemos encontrar conforto, esperança e força para
enfrentar os desafios da existência material, sabendo que somos muito mais do
que meros seres físicos.

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