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Mensagens

A mostrar mensagens de abril, 2026

A Respiração Oculta de 2026

  Dizem os sábios que há instantes em que o céu se inclina sobre a Terra com a lentidão de um gesto sagrado, como se quisesse pousar a fronte sobre o mundo e escutar‑lhe o coração. Não são instantes anunciados, nem marcados por clarões. São momentos que pertencem ao reino do indizível, onde a respiração do cosmos se torna mais densa, mais funda, mais inevitável. Entre 7 e 27 de Julho de 2026, quatro planetas lentos — Júpiter, Urano, Neptuno e Plutão — reúnem‑se num arco estreito de cinco graus, como quatro guardiões antigos que regressam ao mesmo fogo primordial para deliberar sobre o destino da humanidade. Esta aproximação não pertence ao domínio do quotidiano. É um acontecimento que fala a linguagem dos ciclos longos, das metamorfoses profundas, das mudanças que não se anunciam com estrondo, mas com murmúrios. É como se o céu recolhesse a sua força num único ponto, e nesse recolhimento alterasse a vibração do tempo. E Portugal, com a sua sensibilidade antiga, sente esta respi...

Reflexões sobre a União Conjugal e a Liberdade de Consciência

A reflexão sobre a união conjugal e a legitimidade da sua dissolução exige, antes de mais, coragem intelectual e honestidade afectiva. Falo em primeira pessoa porque este é um tema que me interpela como pensamento e como experiência: creio que as normas que herdámos — morais, religiosas, sociais — moldaram a nossa sensibilidade de tal modo que muitas vezes confundimos tradição com verdade. Não pretendo oferecer receitas; proponho, isso sim, um exame crítico e profundo das premissas que sustentam a monogamia institucionalizada, da natureza dos vínculos afectivos e da responsabilidade que lhes cabe quando se desfazem. Contexto histórico e tipologias das uniões As formas de organização afectiva que conhecemos não surgiram do nada; são produto de séculos de costumes, interesses económicos e prescrições morais. É imprescindível distinguir entre o ideal e a realidade : o ideal aponta para relações que promovam o aperfeiçoamento mútuo, a fraternidade e o respeito; a realidade revela uma mul...

Páscoa: o Tempo Silencioso em que a Alma Recorda quem É

Não acredito na ressurreição como dogma, nem na ideia de um corpo que adormece na morte para um dia “acordar” intacto, como se nada tivesse acontecido entre um ponto e outro. Para mim, isso seria quase uma ofensa à inteligência da própria Vida. O universo não pára, não congela, não suspende o movimento. Tudo evolui, tudo se transforma, tudo se aperfeiçoa. Porque razão o espírito seria a única excepção? Acredito na reencarnação como expressão natural de um princípio maior: a Vida não desperdiça experiência . Nada do que vivemos é inútil, nada do que sentimos é em vão. Cada dor, cada alegria, cada perda, cada encontro, cada fracasso e cada gesto de amor são matéria-prima de um aperfeiçoamento silencioso que se faz por dentro. Não num céu distante, mas no íntimo da consciência. É a partir desta visão que olho para a Páscoa. Não como um episódio isolado da tradição cristã, mas como um símbolo universal de um processo que se repete em todas as almas : morrer para uma forma de ser, renas...