No nosso último texto, explorámos o "Mapa da Consciência" do Dr. David Hawkins — uma cartografia vertical e estática que nos dizia a "altitude" da nossa alma. Hoje, proponho-vos algo diferente. Hoje, não vamos apenas olhar para o mapa; vamos aprender a navegar.
Apresento-vos o "Pequeno Tratado sobre a Navegação Emocional", baseado nos ensinamentos revolucionários de Esther e Jerry Hicks (e da consciência conhecida como Abraham).
Se Hawkins nos deu a arquitectura do edifício, Abraham ensina-nos a subir as escadas. A premissa central é libertadora: nós não viemos a este mundo para "consertar" uma alma quebrada, mas para expandir a alegria da criação através do contraste.
O Fim do Julgamento Emocional
Durante séculos, fomos ensinados a temer as nossas emoções "negativas". A raiva era pecado; o medo era fraqueza; a inveja era vergonhosa.
Neste novo tratado, abandonamos essa visão arcaica. Encaramos cada emoção — desde o ódio mais visceral até ao êxtase mais sublime — não como um erro, mas como um sinal vital de um GPS Interno.
Tal como não se insulta o indicador de combustível do carro por avisar que o tanque está vazio, não devemos julgar a nossa dor. Ela é apenas feedback. É o sistema a dizer: "Estás a olhar para isto de forma errada. A tua Alma vê amor, tu vês medo. Estás desalinhado."
A Verdade Crua e a Doçura do Alívio
A "verdade crua" que este sistema nos impõe é que o Universo é regido pela Lei da Atracção: "Aquilo que é semelhante a si mesmo, é atraído".
O Universo não ouve as vossas palavras polidas ou as vossas orações decoradas. Ele responde, impiedosamente, à vossa vibração. Se pedem dinheiro mas vibram na falta dele, receberão mais falta.
Contudo, a "doçura" reside na descoberta de que nunca estamos perdidos. Estamos apenas, momentaneamente, numa frequência que não nos serve. E o caminho de volta a casa não exige um salto impossível de santidade; exige apenas o passo lógico do Alívio.
A Anatomia da Escala (Os 22 Degraus)
Abraham organiza as emoções humanas numa escala de 22 degraus de resistência:
A Zona do Vórtice (Degraus 1-6): Onde a vida flui. (Alegria, Paixão, Entusiasmo, Esperança).
A Zona de Transição (Degraus 7-9): Onde gerimos a energia. (Contentamento, Tédio, Pessimismo).
A Zona de Resistência (Degraus 10-22): Onde remamos contra a maré. (Frustração, Preocupação, Raiva, Medo, Depressão).
A Prática: O Valor da Raiva
A aplicação mais controversa e poderosa deste método é a reabilitação da Raiva.
Para quem está no fundo do poço (Depressão - Degrau 22), tentar "ser feliz" é impossível e contraproducente. A vibração é demasiado díspar.
Mas ficar zangado? Isso é possível.
A Raiva (Degrau 17) tem mais energia vital do que a Depressão. A Raiva é uma subida. É a alma a reivindicar a vida. O segredo não é ficar lá a viver, mas usá-la como degrau para chegar à Frustração, e daí ao Pessimismo, até vislumbrar a Esperança.
Conclusão: A Soberania do Sentir
O objectivo da vida não é a perfeição, é a expansão. O sofrimento não é um castigo, é orientação.
Convido-vos a lerem o tratado completo para descobrirem ferramentas como a Roda do Foco e a Honestidade Radical.
Deixem de tentar controlar o mundo lá fora (que é apenas um espelho) e comecem a controlar a única coisa que vos pertence: a direcção do vosso olhar.
Vibrem alto.
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