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Memórias após a vida

 

O desejo de perpetuar a memória após a morte é uma tendência natural do ser humano, que decorre da consciência de que a vida não se restringe apenas ao período terreno. O espírito humano tem uma natureza imortal e, por isso, busca deixar marcas da sua existência no mundo material. Perpetuar a sua memória através de monumentos fúnebres tem duas origens:

1. O orgulho e o egoísmo do próprio homem. Muitas vezes, em vida, o homem apega-se excessivamente às coisas materiais e ao que julga ser símbolos do seu poder ou status. Após a morte, deseja que a sua memória seja preservada através de luxuosos monumentos, mais por vaidade e egoísmo do que por qualquer outro motivo.

2. A ignorância espiritual. O homem que não tem conhecimento da vida futura, após a morte, teme o esquecimento e aniquilamento. Os monumentos fúnebres seriam uma forma de lutar contra o esquecimento e perpetuar de alguma forma a sua existência terrena.

De acordo com os espíritos, os familiares e descendentes, movidos por saudosismo e respeito, acabam por atender mais aos desejos do defunto, mesmo quando exagerados, do que propriamente a uma necessidade genuína de prestar-lhe homenagem. Muitos espíritos arrependem-se no plano espiritual de terem, quando encarnados, dado tanta importância a coisas fúteis como a suntuosidade de seu túmulo.

Dessa forma, os monumentos fúnebres podem ser vistos como uma forma de homenagear e lembrar aqueles que já partiram, mas não devem ser vistos como uma garantia de imortalidade ou sucesso na vida após a morte. O mais importante, segundo a doutrina espírita, é investir na evolução moral e espiritual enquanto estamos vivos, a fim de alcançar uma vida plena e feliz no mundo espiritual após o desencarne. Os monumentos não fazem do homem maior ou menor aos olhos de Deus. O que verdadeiramente engrandece é a sua conduta moral em vida.

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