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A difícil jornada contra o egoísmo


Neste artigo, refletiremos sobre a questão 916 de "O Livro dos Espíritos", no capítulo XII intitulado "Perfeição Moral (Egoísmo)". Allan Kardec, na sua obra fundamental, convida-nos a analisar o fenómeno do egoísmo e a sua relação com a civilização. Vamos explorar a ideia de que o egoísmo não diminui, mas aumenta com o avanço das sociedades. Como a causa pode destruir o efeito?

O egoísmo é uma característica inerente à natureza humana, resultado do estágio de imperfeição moral em que nos encontramos. Manifesta-se em diferentes graus, do mais subtil ao mais extremo. No entanto, é interessante notar que, à medida que a civilização avança, o egoísmo parece ser exacerbado e mantido, ao contrário da ideia de que o progresso social poderia retardá-lo.

Podemos observar esse fenômeno na competição desenfreada por recursos materiais e poder, na busca incessante do sucesso individual em detrimento do bem coletivo. A sociedade muitas vezes nos insta a colocar os nossos próprios interesses acima dos outros, resultando em desigualdade, injustiça e falta de solidariedade. O egoísmo, paradoxalmente, encontra espaço fértil no coração dos indivíduos no meio de estruturas sociais cada vez mais complexas.

Mas como dar sentido a esta aparente contradição? A Doutrina Espírita ensina-nos que a evolução espiritual é um processo gradual, que ocorre ao longo de várias encarnações. Cada existência é uma oportunidade para aprender e melhorar-se moralmente. No entanto, o progresso material e intelectual não acompanha necessariamente o progresso moral. A civilização traz avanços tecnológicos e científicos, mas nem sempre reflete uma evolução ética.

A frase-chave da questão colocada por Allan Kardec: "o egoísmo, longe de diminuir, aumenta com a civilização, que parece excitá-lo e mantê-lo" Convida-nos a refletir sobre as raízes profundas do egoísmo, que radicam na nossa natureza espiritual, ainda imperfeita. A sociedade, em vez de combater o egoísmo, muitas vezes encoraja-o através de valores distorcidos e de uma cultura individualista.

No entanto, a Doutrina Espírita nos oferece uma perspetiva de esperança e transformação. Ensina-nos que o objetivo da existência humana é a evolução moral, o desenvolvimento do amor e da fraternidade. É através do esforço individual, da busca da reforma interior e da prática do bem que podemos combater o egoísmo em nós mesmos e, consequentemente, na sociedade.

Com tudo isto surge um desafio significativo: Como superar o egoísmo no meio de uma sociedade que parece alimentá-lo? A resposta está na busca constante da evolução moral, da transformação interior e da prática do amor ao próximo. O caminho não é fácil, mas é possível. Cabe a cada um de nós refletir sobre suas ações e fazer escolhas que contribuam para a construção de uma sociedade mais justa, solidária e fraterna.


 

 

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