Hoje, trago uma reflexão sobre a questão 997 de "O Livro dos Espíritos", na quarta parte – esperanças e consolações, capítulo II – Tristezas e Alegrias Futuras (Expiação e Arrependimento). Nesta questão, perguntamo-nos como é possível que espíritos de notória inferioridade possam ser acessíveis aos bons sentimentos e sensíveis às orações, enquanto outros, que supomos serem mais esclarecidos, demonstram um endurecimento e cinismo de que nada pode dobrar.
Dentro da
Doutrina Espírita, entendemos que cada espírito tem seu próprio processo de
evolução e resgate de suas imperfeições. Aqueles que estão numa notória
inferioridade podem estar num momento de despertar espiritual, onde se abrem
para a ação dos bons sentimentos e se tornam sensíveis às orações que são
feitas por eles. Este despertar pode ser o resultado de experiências passadas,
da influência de espíritos superiores ou da própria misericórdia divina.
No entanto,
é importante lembrar que também existem espíritos que, apesar de possuírem
conhecimentos superiores, demonstram um endurecimento e cinismo que parece
inabalável. Esses espíritos podem estar passando por um processo mais profundo
de provação e expiação, onde a resistência ao bem é uma consequência de suas
escolhas e atitudes em vidas anteriores.
Allan Kardec
ensina-nos que a evolução espiritual é um processo gradual, que ocorre ao longo
de várias encarnações. Cada espírito tem o seu próprio ritmo de progresso e
aprendizagem. Alguns podem ter passado por experiências mais difíceis e
dolorosas em suas trajetórias evolutivas, o que pode gerar um endurecimento
temporário, como parte do processo de recuperação das suas falhas.
É importante
entender que o endurecimento e o cinismo desses espíritos não são permanentes.
A lei divina é justa e misericordiosa, e todos têm a oportunidade de se redimir
e evoluir. O tempo, a experiência e o amor são instrumentos de transformação
que podem gradualmente suavizar os corações mais endurecidos.
Gostaria de partilhar uma citação de Emanuel, na obra "Vinha
de Luz", que nos traz uma reflexão inspiradora sobre a redenção dos
espíritos: "O homem, pela bondade do Senhor, é sempre uma possibilidade
de renovação e elevação para
o espírito que se aproxima dele, em busca da luz e do amor".
Diante
disso, concluímos que a dualidade dos espíritos é parte integrante do processo
evolutivo. Alguns espíritos, mesmo numa notória inferioridade, podem ser
tocados por bons sentimentos e orações, enquanto outros, aparentemente mais
iluminados, estão num momento de endurecimento. Mas todos têm a chance de se
redimir e progredir espiritualmente.
Que possamos
compreender a complexidade do processo evolutivo dos espíritos, mantendo sempre
em nossos corações a esperança de redenção e transformação. Que a luz divina
ilumine os nossos caminhos e nos guie para a evolução espiritual. Assim seja!
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