Hoje, gostaria de refletir convosco sobre a questão 996 de "O Livro dos Espíritos", na quarta parte – esperanças e consolações, capítulo II – Tristezas e Alegrias Futuras (Expiação e Arrependimento). Esta pergunta leva-nos a questionar como é possível que alguns Espíritos, mesmo conscientes do mal que as suas imperfeições causam, persistam em fazer o mal e em desviar os homens do caminho certo.
No âmbito da
Doutrina Espírita, entendemos que os Espíritos são seres dotados de livre-arbítrio.
Possuem a capacidade de escolher entre o bem e o mal, o progresso e a
estagnação espiritual. No entanto, nem todos os Espíritos escolhem o caminho do
bem, e isso Leva-nos a uma profunda reflexão.
Allan
Kardec, na sua obra, ensina-nos que a existência do mal está relacionado com a
imperfeição moral dos espíritos. Alguns deles, mesmo conscientes das
consequências negativas de seus atos, optam por seguir o caminho do mal. Esta
escolha pode ser o resultado de um apego excessivo às paixões terrenas, orgulho
excessivo ou até mesmo um desejo de poder sobre os outros.
Estes
espíritos, praticando o mal, prolongam o seu estado de inferioridade e agravam
a sua situação espiritual. No entanto, é importante notar que esta escolha não
é definitiva. O livre-arbítrio concede a todos a possibilidade de se
arrependerem, buscarem a redenção e percorrerem novamente o caminho do bem.
Neste
contexto, vale ressaltar a importância da lei de causa e efeito, também
conhecida como lei do carma. Cada ação, seja ela boa ou má, gera consequências
que terão repercussões na vida presente e nas futuras encarnações dos
espíritos. É através destas experiências e das lições aprendidas que têm a
oportunidade de evoluir e libertar-se das imperfeições que os prendem ao mal.
No entanto,
devemos entender que o mal praticado pelos espíritos não é uma ação desprovida
de propósito. Por vezes, tornam-se instrumentos de provação e aprendizagem para
os seres humanos, que têm a oportunidade de exercer o discernimento, a força de
vontade e a busca do bem. Cabe a nós, como seres encarnados, desenvolver a
capacidade de discernir entre o certo e o errado e escolher o caminho da
evolução espiritual.
Gostaria de
partilhar uma citação do espírito André Luiz, na obra "No Mundo Maior",
que nos inspira a refletir sobre a dualidade do bem e do mal: "O mal é
sempre o bem que não soube aproveitar as oportunidades que a vida lhe oferece".
Diante
disso, concluímos que a existência de espíritos que persistem no mal, mesmo
conscientes de suas consequências, é um desafio que faz parte do processo de
aprendizagem e evolução espiritual. Cabe a cada um de nós, encarnados e
desencarnados, buscar a transformação interior, cultivando o amor, a compaixão
e a compreensão, para que possamos ser exemplos de luz e orientação para
aqueles que ainda estão desviados do bom caminho.
Que possamos
refletir sobre a escolha entre o bem e o mal, procurando sempre cultivar o bem
e a evolução espiritual. Que a luz divina nos guie neste caminho de
aprendizagem e transformação. Assim seja!
Comentários
Enviar um comentário