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O Sentimento da Justiça: Natural ou Aprendido?


O sentimento da justiça é um tema que sempre despertou curiosidade e reflexão em filósofos, juristas e pensadores em geral. No Espiritismo, não é diferente. A questão 873 de "O Livro dos Espíritos" traz um questionamento interessante: o sentimento da justiça está na natureza ou é resultado de ideias adquiridas?

Para entendermos esta questão, precisamos primeiro compreender o que é o sentimento da justiça. Segundo a doutrina espírita, a justiça é uma lei natural que rege o universo e que se manifesta através das leis divinas. Ela é a base da harmonia universal, e sua finalidade é garantir que cada ser receba aquilo que lhe é devido, de acordo com suas ações e escolhas.

Mas como esse sentimento se manifesta em nós? Será que ele é inato ou aprendido? Para responder a essa questão, precisamos lembrar que somos seres dotados de livre-arbítrio, ou seja, temos a capacidade de escolher nossas ações e decidir o que é certo ou errado. Essa capacidade nos permite desenvolver o senso de justiça ao longo do tempo, à medida que vamos compreendendo as consequências de nossas escolhas e aprendendo a lidar com as diferenças entre as pessoas.

No entanto, isso não significa que o sentimento da justiça seja totalmente aprendido. De acordo com a doutrina espírita, ele tem uma base natural, que se manifesta em nossa consciência através da lei divina. Essa lei nos leva a buscar a justiça em nossas relações com os outros, a respeitar seus direitos e a agir de forma ética e responsável.

Assim, podemos dizer que o sentimento da justiça é uma mistura de fatores naturais e aprendidos. Ele tem uma base inata em nossa consciência, mas é desenvolvido ao longo da vida através das experiências e das interações com os outros. É por isso que vemos diferenças no senso de justiça entre as pessoas, já que cada um tem uma história de vida e um conjunto de valores que influenciam sua percepção sobre o que é justo ou não.

Mas como podemos aplicar esse conhecimento em nossa vida cotidiana? A resposta é simples: através da prática do amor ao próximo. Quando amamos verdadeiramente os outros, respeitamos seus direitos e buscamos sempre agir de forma justa e responsável. Isso não significa que seremos perfeitos em nossas escolhas, mas sim que estaremos sempre buscando evoluir e crescer como seres humanos.

Em resumo, o sentimento da justiça é uma mistura de fatores naturais e aprendidos, que se manifesta em nossa consciência através da lei divina. Ele nos leva a buscar a harmonia e o equilíbrio em nossas relações com os outros, respeitando seus direitos e agindo de forma ética e responsável. E para desenvolver esse sentimento em nossa vida cotidiana, basta praticarmos o amor ao próximo e buscarmos sempre evoluir como seres humanos.

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