Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

O MAPA DO INVISÍVEL: Uma Cartografia da Alma Humana segundo David R. Hawkins

Desde o alvorecer da razão, a humanidade debate-se numa orfandade trágica, cindida entre duas verdades que, durante séculos, se recusaram a tocar: a precisão fria da ciência clínica e o fogo indomável do espírito místico. Caminhámos coxos pela história fora: senhores da matéria, mas analfabetos da alma. Hoje, trago-vos uma proposta de reconciliação. Não se trata de uma crença, mas de uma calibração. Falo-vos do "Mapa da Consciência", uma obra monumental do psiquiatra Dr. David R. Hawkins (1927–2012), que ousou medir o imensurável: a luminosidade da alma humana. A Matemática da Alma A premissa de Hawkins é assombrosa na sua simplicidade: o corpo humano não é apenas uma máquina biológica, mas um ressoador de verdade infalível. Num universo onde tudo é energia, o nosso sistema nervoso actua como um sismógrafo moral, capaz de distinguir, através de testes cinesiológicos (musculares), aquilo que sustenta a vida daquilo que a consome. Hawkins criou uma escala logarítmic...

A Física Invisível de Kardec: Uma Leitura dos Itens 80 e 81 de O Livro dos Médiuns

  Os itens 80 e 81 de O Livro dos Médiuns representam um dos momentos mais luminosos da obra kardequiana. Neles, Allan Kardec procura explicar fenómenos tradicionalmente atribuídos ao milagre ou ao sobrenatural, propondo uma leitura natural, racional e progressiva da realidade espiritual — uma verdadeira física do invisível . 1. Da mesa ao homem: a lógica da levitação Kardec parte de uma ideia simples: se um Espírito pode suspender uma mesa, pode suspender qualquer corpo , desde que exista força fluídica suficiente. É neste contexto que surge Daniel Dunglas Home, o célebre médium de efeitos físicos. Kardec menciona um episódio em que Home, suspenso no ar, deixou uma marca de lápis no tecto para provar que o fenómeno não era ilusão óptica. A marca permaneceu — um testemunho material de um acontecimento que ultrapassava as explicações convencionais. A frase de Kardec — “era ao mesmo tempo a causa eficiente e o objecto” — resume tudo: o médium fornece o fluido vital;...

Tratado Analítico sobre a Mecânica dos Fluidos Imponderáveis: Uma Exegese Científica e Histórica dos Itens 80 e 81 de O Livro dos Médiuns

Introdução Epistemológica: A Naturalização do Transcendente na Obra de Allan Kardec A publicação de O Livro dos Médiuns (Le Livre des Médiums) em janeiro de 1861, em Paris, marcou um ponto de inflexão fundamental na história do pensamento ocidental, especificamente no que tange à interseção entre a metafísica e as ciências naturais. Allan Kardec, pseudônimo do pedagogo Hippolyte Léon Denizard Rivail, empreendeu uma tarefa hercúlea: retirar os fenômenos espirituais da esfera do milagre, do maravilhoso e do diabólico, para situá-los no domínio da lei natural. A análise detalhada dos itens 80 e 81 do Capítulo IV da Segunda Parte desta obra revela não apenas a metodologia observacional de Kardec, mas também a sua profunda conexão com os paradigmas científicos do século XIX, nomeadamente a pneumática, o eletromagnetismo e a teoria dos fluidos imponderáveis. Este relatório propõe-se a dissecar, com exaustividade acadêmica, a teoria das manifestações físicas apresentada nestes itens. O...

Quando a Raiva Bate à Porta: A Promessa para os Pacíficos

  Hoje vamos reflectir sobre umas palavras de Jesus que, à primeira vista, parecem difíceis de acreditar nos dias de hoje. Ele disse: “Bem-aventurados os brandos, porque eles possuirão a Terra.” (Mateus, 5:5) Olhamos à nossa volta e o que vemos? Vemos os violentos a mandar, os que gritam mais alto a ter razão, e os que usam a força a passar à frente. E, às vezes, perguntamo-nos: “Será que vale a pena ser calmo? Será que ser pacífico não é ser fraco?” O Evangelho segundo o Espiritismo (Capítulo IX) vem dizer-nos que não . Jesus ensina-nos que a verdadeira força não está em explodir, mas em segurar a explosão. Ele avisa-nos sobre o perigo da nossa língua e da cólera. Sabem aquelas palavras duras que soltamos quando o sangue ferve? Aqueles insultos antigos (como o termo "Raca" usado na Bíblia) que serviam para chamar ao outro "inútil" ou "sem valor"? Pois bem, o Mestre diz-nos que ferir um irmão com uma palavra é tão grave perante as Leis de Deus com...

A Impossibilidade Técnica da Leitura Mediúnica em Causa Própria: Barreiras Anímicas e Vibratórias

A prática da mediunidade — entendida como o intercâmbio entre o plano físico e o extra‑físico — obedece a leis mecânicas e psíquicas muito precisas. Entre os estudantes desta disciplina, há uma dificuldade que surge sempre, e quase sempre com dor: a incapacidade de realizar leituras fiáveis para aqueles que lhes são mais próximos — cônjuges, filhos, pais. A explicação para esta limitação não é mística; é técnica. Resulta da impossibilidade de manter verdadeira isenção emocional e da consequente contaminação anímica do processo. O propósito deste texto é expor, com clareza, as razões pelas quais um médium, por mais ostensivo que seja, se torna “cego” ou “espelho de si mesmo” quando tenta ler aqueles que ama. 1. O Princípio da Passividade e o Viés Emocional A neutralidade do médium é condição essencial para que a comunicação seja autêntica. O médium deve funcionar como um receptor limpo, sem interferências. Porém, diante de um familiar, essa neutralidade é, na prática, imposs...

Não há demónios eternos: a visão espírita do mal

Entre os muitos méritos de O Livro dos Espíritos, talvez nenhum seja tão libertador quanto a sua leitura moral do mal. Longe de conceber o Universo como um campo de batalha entre forças antagónicas — Deus de um lado, o mal do outro — a Doutrina Espírita restitui-nos uma visão profundamente unitária, racional e eticamente elevada da Criação.   Kardec, com a lucidez que o caracteriza, pergunta aos Espíritos se os anjos constituem uma ordem distinta, uma espécie privilegiada, criada perfeita desde o princípio. A resposta é de uma simplicidade que desarma preconceitos seculares:   > “Os anjos são Espíritos puros, que chegaram ao último grau da escala, e que reúnem todas as perfeições.”   > (O Livro dos Espíritos, q. 128) Não nasceram perfeitos: tornaram-se. A perfeição é fruto de esforço, de experiência, de escolhas sucessivas orientadas para o bem. A Criação não conhece favoritismos: todos os Espíritos começam simples e ignorantes, e todos ca...

Bem-aventurados os que têm os olhos fechados: a luz que nasce da provação

Os dois ensinamentos do capítulo VIII de O Evangelho segundo o Espiritismo, itens 20 e 21, sob o título «Bem-aventurados os que têm fechados os olhos», convidam-nos a olhar a cegueira com uma profundidade que ultrapassa largamente a simples ausência de visão física. Não se trata apenas dos olhos do corpo, mas, sobretudo, da claridade ou da obscuridade que habitam o íntimo da alma.    No item 20, o Espírito do Cura d’Ars (São João Maria Vianney), com uma ternura firme e compassiva, declara bem-aventurados aqueles que não podem ver, porque, privados das seduções da matéria, ficam mais livres para ver com os olhos do Espírito. Ele lembra que, muitas vezes, é precisamente através dos olhos do corpo que nos deixamos arrastar para a queda: são eles que se prendem às aparências, às vaidades, ao orgulho, às comparações e aos desejos que nos afastam de Deus. A verdadeira visão, ensina ele, é a visão interior—essa faculdade íntima de perceber o bem, de aspirar à pureza de co...