É verdade que uma condição social mais elevada, com mais
conforto e instrução, tende a favorecer o exercício da razão e o
desenvolvimento da sensibilidade. No entanto, isso não confere necessariamente
uma elevação espiritual, pois é simplesmente o resultado da própria evolução da
alma. Além disso, pode levar à complacência, atrofiando os nobres ímpetos da
alma que buscam servir à causa do bem em si mesmos.
Por outro lado, as circunstâncias mais humildes podem ser um
obstáculo ao exercício da liberdade, mas ao mesmo tempo fortalecem a
perseverança e o desprendimento que elevam o espírito às mais altas regiões. Em
ambos os casos, o que define a nossa verdadeira condição espiritual é o uso que
fazemos da nossa liberdade interior, submetendo as nossas ações à luz da
consciência iluminada.
Portanto, podemos concluir que a posição social não
determina o grau de liberdade conquistada pelo espírito na sua evolução moral.
Isso depende somente de nossa fidelidade aos ditames superiores de nosso dever
de homens.
Podemos destacar que a posição social, revelando o grau de
evolução alcançado, tanto pode tornar-se benéfica em relação ao espirito como
um obstáculo à expansão plena da liberdade moral.

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