Algumas ideias sobre o estado de selvagismo na evolução humana. Sabemos que esta representa uma das fases mais primitivas do ser humano, onde os instintos e impulsos naturais dominam quase que absolutamente. No entanto, segundo a sabedoria dos Espíritos superiores, devemos considerar alguns pontos que nos ajudarão a compreender melhor essa questão.
Em primeiro
lugar, é importante destacar que, embora os instintos sejam fortes e irrefreáveis
no selvagem, nunca se pode negar a existência do livre-arbítrio em sua alma,
pois este é um atributo intrínseco do Espírito que nada pode subtrair-lhe. O
que acontece é que, no estado selvagem, o livre-arbítrio encontra-se latente e
impotente, dominado pelos fortes instintos de conservação e pelas paixões
desordenadas, não conseguindo ainda exercer sua influência salutar.
A razão e a
moralidade ainda se acham obscuras na inteligência do selvagem, qual semente
germinando lentamente sob a sombra da ignorância. Por isso, seus atos e
tendências acham-se submetidos quase que inteiramente aos impulsos da natureza.
No entanto, à medida que a razão desperta da apatia e a voz da consciência não
mais se acoberta sob o barulho das paixões, o selvagem começa lentamente a
submeter seus impulsos irrefletidos à luz tênue do discernimento, exercendo,
ainda que imperfeitamente, seu livre-arbítrio.
E é assim
que, após tantas vicissitudes, o homem emerge finalmente do selvagem, a razão
triunfa e o livre-arbítrio, libertando-se da escravidão dos instintos, ascende
como senhor do seu destino. Em outras palavras, o livre-arbítrio é como uma
semente que germina lentamente na alma do selvagem, até que finalmente floresça
em toda a sua plenitude.
Lembremos
sempre que a evolução é um processo contínuo e que, por mais primitivos que
sejam os nossos instintos, sempre há espaço para o livre-arbítrio exercer sua
influência salutar em nossas vidas.

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