Avançar para o conteúdo principal

O livre-arbítrio no homem selvagem


Algumas ideias sobre o estado de selvagismo na evolução humana. Sabemos que esta representa uma das fases mais primitivas do ser humano, onde os instintos e impulsos naturais dominam quase que absolutamente. No entanto, segundo a sabedoria dos Espíritos superiores, devemos considerar alguns pontos que nos ajudarão a compreender melhor essa questão.

Em primeiro lugar, é importante destacar que, embora os instintos sejam fortes e irrefreáveis no selvagem, nunca se pode negar a existência do livre-arbítrio em sua alma, pois este é um atributo intrínseco do Espírito que nada pode subtrair-lhe. O que acontece é que, no estado selvagem, o livre-arbítrio encontra-se latente e impotente, dominado pelos fortes instintos de conservação e pelas paixões desordenadas, não conseguindo ainda exercer sua influência salutar.

A razão e a moralidade ainda se acham obscuras na inteligência do selvagem, qual semente germinando lentamente sob a sombra da ignorância. Por isso, seus atos e tendências acham-se submetidos quase que inteiramente aos impulsos da natureza. No entanto, à medida que a razão desperta da apatia e a voz da consciência não mais se acoberta sob o barulho das paixões, o selvagem começa lentamente a submeter seus impulsos irrefletidos à luz tênue do discernimento, exercendo, ainda que imperfeitamente, seu livre-arbítrio.

E é assim que, após tantas vicissitudes, o homem emerge finalmente do selvagem, a razão triunfa e o livre-arbítrio, libertando-se da escravidão dos instintos, ascende como senhor do seu destino. Em outras palavras, o livre-arbítrio é como uma semente que germina lentamente na alma do selvagem, até que finalmente floresça em toda a sua plenitude.

Lembremos sempre que a evolução é um processo contínuo e que, por mais primitivos que sejam os nossos instintos, sempre há espaço para o livre-arbítrio exercer sua influência salutar em nossas vidas.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

JN12 — Um Método Oracular para o Tempo Presente

Num tempo em que a informação se multiplica, mas a compreensão profunda escasseia, o Método Oracular JN12 nasce como uma resposta madura, ética e contemporânea à necessidade humana de orientação. Não se trata de mais um sistema divinatório, nem de uma promessa de respostas fáceis. O JN12 é um método de leitura, reflexão e alinhamento, criado para quem procura clareza interior, lucidez emocional e uma visão mais integrada do seu próprio percurso. O que é o JN12? O JN12 é um método oracular estruturado em doze eixos fundamentais que espelham as grandes dinâmicas da experiência humana: identidade, desejo, limites, relações, propósito, sombra, vocação, ciclos, entre outras dimensões essenciais.   Cada consulta articula estes eixos de forma rigorosa, permitindo que a pessoa veja o seu momento de vida com profundidade, nuance e sentido. Não é um oráculo “de adivinhação”. É um instrumento de leitura simbólica, capaz de revelar padrões, tensões, potenciais e caminhos de in...

A Jornada Alquímica: Os Quatro Estágios da Transformação Espiritual

A alquimia, uma antiga prática esotérica, oferece um caminho simbólico para a transformação espiritual. Os alquimistas acreditavam que, assim como os metais básicos podem ser transformados em ouro, também a alma humana pode passar por um processo de purificação e iluminação . A jornada alquímica é dividida em quatro estágios distintos, conhecidos como os Quatro Estados da Alquimia: - Nigredo (Morte Espiritual):  Este estágio representa o início da jornada, onde enfrentamos nossos medos e sombras. É um período de purificação e dissolução, onde deixamos para trás velhos padrões e crenças que nos impedem de crescer. - Albedo (Purificação):  À medida que avançamos, entramos no estágio de purificação. Aqui, eliminamos as impurezas e alcançamos um estado de equilíbrio e harmonia. É um momento de clareza e compreensão, onde vemos o mundo com novos olhos. - Citrinitas (Despertar):  O terceiro estágio é o despertar. Ganhamos consciência de nosso potencial e começamos a integrar...

O MAPA DO INVISÍVEL: Uma Cartografia da Alma Humana segundo David R. Hawkins

Desde o alvorecer da razão, a humanidade debate-se numa orfandade trágica, cindida entre duas verdades que, durante séculos, se recusaram a tocar: a precisão fria da ciência clínica e o fogo indomável do espírito místico. Caminhámos coxos pela história fora: senhores da matéria, mas analfabetos da alma. Hoje, trago-vos uma proposta de reconciliação. Não se trata de uma crença, mas de uma calibração. Falo-vos do "Mapa da Consciência", uma obra monumental do psiquiatra Dr. David R. Hawkins (1927–2012), que ousou medir o imensurável: a luminosidade da alma humana. A Matemática da Alma A premissa de Hawkins é assombrosa na sua simplicidade: o corpo humano não é apenas uma máquina biológica, mas um ressoador de verdade infalível. Num universo onde tudo é energia, o nosso sistema nervoso actua como um sismógrafo moral, capaz de distinguir, através de testes cinesiológicos (musculares), aquilo que sustenta a vida daquilo que a consome. Hawkins criou uma escala logarítmic...