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Livre-arbítrio Atenuado, mas nunca anulado


Quero chamar a atenção para algumas questões que podem nos ajudar a compreender melhor como esse atributo intrínseco do espírito pode ser afetado em situações extremas.

Primeiramente, é importante destacar que mesmo em casos de desequilíbrio mental ou alteração temporária das faculdades intelectuais, o livre-arbítrio jamais é anulado por completo. Embora a aberração das faculdades possa influenciar a vontade, a essência imortal da alma permanece livre para decidir em conformidade com os ditames da consciência. Mesmo em estados de loucura, há sempre uma faísca de razão e discernimento, ainda que impercetível aos olhos dos observadores externos. Além disso, muitas vezes o desregramento moral e o desvio da consciência podem preparar o terreno para a alienação mental, denotando falta de domínio de si mesmo desde estágios precedentes.

Quanto à embriaguez, é preciso lembrar que embora possa atenuar a responsabilidade, jamais a isenta totalmente. Quem se embriaga voluntariamente já revela falta de autocontrole e suscetibilidade ao escravismo de apetites degradantes, denotando um declínio moral já prévio. A embriaguez agrava a própria degradação espiritual, acostumando o homem à ausência de razão e ao desregramento da vontade. E quem se entrega à embriaguez, mesmo que eventualmente, está exposto a cometer atos reprováveis sob seu efeito, pelo descontrole que já revela.

Portanto, embora haja atenuantes nos casos de alienação mental e embriaguez, não podemos jamais negar toda responsabilidade ao espírito que, em maior ou menor grau, determinou por suas escolhas anteriores tais estados. Cabe a cada um de nós exercer livremente o domínio de si próprio, sob pena de sofrer as consequências de nossa fragilidade

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