mo-nos com uma inegável e significativa fragilidade nas uniões matrimoniais portuguesas.
Estes dados revelam a precariedade dos vínculos actuais e
convidam-nos a uma reflexão profunda e sem filtros sobre a natureza destas
uniões e a diferença fundamental entre uniões puramente materiais e
espirituais. É imperativo compreender a família não apenas como um contracto
civil, mas como uma instituição essencial ao nosso progresso espiritual.
A Ilusão da Lei Humana e a Verdade da Lei Divina
A união conjugal deve ser examinada sob três prismas
distintos: a lei divina, a lei humana e a lei material. A lei divina
fundamenta-se, de forma inegociável, no amor verdadeiro e na simpatia
recíproca; é este sentimento que une não apenas os corpos, mas principalmente
as almas para a sua evolução mútua.
Por outro lado, a lei humana e as suas condições
regulamentares variam segundo os costumes e as épocas. A verdadeira união que
Deus estabelece não reside em formalidades exteriores ou rituais, mas sim na
sintonia espiritual alicerçada no amor, no respeito e no comprometimento. Deus
instituiu estes laços da alma para que a afeição se estenda aos filhos, favorecendo
assim o progresso espiritual de todos os envolvidos.
A Fisiologia dos Encontros: Por Que Nos Unimos?
O Espiritismo distingue as famílias em duas espécies: as
unidas por laços espirituais e as unidas por laços corporais. As primeiras
baseiam-se numa afinidade profunda e são duráveis; as segundas, frequentemente
resultantes de interesses materiais ou compromissos passageiros, são frágeis e
extinguem-se facilmente perante as dificuldades.
As uniões não ocorrem por acaso. A esmagadora maioria dos
casamentos terrestres é de natureza provacional, servindo como um reajuste de
almas que necessitam de reconciliação através da convivência e da superação
mútua. Existem também uniões sacrificiais, onde uma alma mais evoluída aceita,
num acto de abnegação, unir-se a outra inferiorizada com um objectivo puramente
redentor e educativo. As uniões afins, infelizmente raras, representam o
reencontro de corações verdadeiramente amigos para a consolidação de afectos. Encontramos
ainda as uniões acidentais, baseadas numa atracção momentânea e vazias de
qualquer ascendente espiritual, e as uniões transcendentes, onde almas elevadas
buscam realizações imortais no bem. A compreensão destas causas ajuda a encarar
as dificuldades como oportunidades de crescimento, e não como fracassos.
O Divórcio Sem Filtros: A Separação do Que Já Estava
Separado
A vida em família é a base das virtudes sociais e essencial
ao progresso humano; é no lar que aprendemos a paciência, a tolerância, o
perdão e o amor incondicional. O enfraquecimento destes vínculos conduz
inevitavelmente ao egoísmo na sociedade.
Contudo, quando o matrimónio falha, o divórcio não é uma
condenação. À luz do Espiritismo, o divórcio apenas separa legalmente aquilo
que já se encontrava separado no plano afectivo pela ausência do amor, não
contrariando a lei de Deus. O próprio Jesus nunca consagrou a indissolubilidade
absoluta do casamento, reconhecendo que a separação pode ser necessária. Manter
vínculos vazios por mera convenção não cumpre o propósito espiritual da união.
A dissolução justifica-se perante a ausência de afeição mútua, a
incompatibilidade evolutiva, ou quando o interesse material é o único factor
remanescente. Historicamente, a própria Igreja seria contraditória ao condenar
o divórcio de forma cega, visto que os seus líderes já impuseram separações
motivadas por interesses puramente materiais.
A Missão Eterna e o Peso Cármico da Alienação Parental
Quando produzimos um corpo físico, recebemos a missão
sagrada de auxiliar aquela alma que vem do espaço a progredir através de uma
educação amorosa. Estes deveres parentais transcendem completamente a união
conjugal e persistem inalterados mesmo após a separação. A cooperação entre
pais separados demonstra que a paternidade é entendida como uma missão
espiritual, e não como uma propriedade ou disputa.
É neste cenário que a alienação parental se revela como um
gravíssimo desvio moral e uma violação de direitos fundamentais. Trata-se da
manipulação da criança para que rejeite um dos progenitores. Do ponto de vista
espiritual e clínico, usar os filhos como instrumento de vingança gera débitos
cármicos pesadíssimos e é uma agressão directa à lei do amor. Esta prática
abominável compromete profundamente o desenvolvimento espiritual da criança,
gerando consequências psicológicas e causando traumas profundos e dificuldades
de confiança que podem perdurar por várias existências. Jamais se deve usar os
filhos como moeda de troca ou disputa.
O Caminho da Separação Consciente
Uma separação exige maturidade e dignidade. É fundamental
reconhecer quando ela se torna necessária para evitar um sofrimento inútil. O
processo deve ser conduzido respeitando o outro como um espírito imortal,
focando-se no perdão e na compreensão da experiência como um aprendizado
evolutivo mútuo.
Manter o respeito pelo ex-cônjuge perante os filhos é a
derradeira demonstração de maturidade espiritual e o cumprimento íntegro dos
verdadeiros deveres parentais. Acima de tudo, deve-se manter um diálogo
fraterno para cooperar na educação dos filhos e buscar o necessário apoio
através da prece e do estudo doutrinário.
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